14/03/2025

Visita à exposição “Histórias do Zambujal: 50 anos do Instituto Arqueológico Alemão em Torres Vedras

No dia 13 de março, os alunos de História Local foram ao Museu Municipal Leonel Trindade em TORRES VEDRAS ver a exposição “Histórias do Zambujal: 50 anos do Instituto Arqueológico Alemão em Torres Vedras”, Orientada pela Dra. Isabel Luna.

No acesso ao claustro, há um corredor, onde pudemos observar uma Cronologia Comparativa da História do Vale do Sizandro com a História do Próximo Oriente, do Mediterrâneo, e da Europa, durante o Holoceno (últimos 12 mil anos) enquadrada pelas temperaturas ambientais, inovações tecnológicas e conflitos sociais.

Entrando no Museu, ali estão os descobridores do Zambujal. Salienta-se o torriense Leonel Trindade que nas suas investigações, descobriu o Zambujal em 1938, e foi o responsável pelas primeiras escavações em 1944, em 1959 e 1960, tendo sido acompanhado nos dois últimos anos pelo Dr. Afonso do Paço, oficial, médico e investigador.

Leonel Trindade (1903 -1992) foi então, convidado pela seção de Madrid do Instituto Arqueológico Alemão a continuar esse trabalho, o que aconteceu entre 1964 e 1973, período durante o qual se efetuaram sete campanhas que foram novamente repetidas em 1994/95.

A partir de 1996, as escavações periódicas resultaram de uma parceria entre o referido Instituto Alemão e o Instituto Português de Arqueologia, com o apoio da Câmara Municipal de Torres Vedras.

Atravessámos um corredor escurecido, que nos remetia para o ambiente duma gruta, onde está a imagem da Cova da Moura, gruta sepulcral coletiva com cerca de 5 mil anos, situada na área dos Cucos, explorada em 1932 por Leonel Trindade (1903 -1992) e Aurélio Ricardo Belo (1877 -1970)

O corredor dá acesso à SALA 1 que refere a “HISTÓRIA DO POVOADO FORTIFICADO DO ZAMBUJAL (Monumento Nacional desde 1946) E ÁREA ENVOLVENTE”.

Iremos, portanto, observar espólio do Mesolítico (período de transição entre o Paleolítico e o Neolítico).

Os grupos humanos começaram a explorar ao máximo os recursos do bosque e das terras com pequenos mamíferos.

Nos estuários dos rios, formaram-se os grandes concheiros (grande acumulação de conchas de moluscos, como a ostra e o berbigão).

Nestes locais, as comunidades faziam diversas atividades diárias e, enterravam os seus mortos.

O castro possui um recinto interior com cerca de 50 metros de diâmetro, reforçado com bastiões circulares e semicirculares com uma espessura entre 5 a 10 metros.

Estas estruturas foram posteriormente reforçadas com duas linhas de muralhas e uma barbacã, em cujos alçados parecem abrir-se eventuais seteiras.

Trata-se de um espaço bem preservado deste povoado do IIIº milénio a. C. embora a sua finalidade ainda constitua uma incógnita. Numa fase mais tardia foram ainda erguidas torres ocas.

A destruição parcial do povoado deve ter ocorrido por volta de 1700 anos a. C.

Pudemos observar nas vitrines: ídolos cilíndricos antropomórficos de calcário, placas antropomórficas de xisto e objetos de uso quotidiano: machados e enxós de pedra polida, pontas de seta, punhais em sílex, alfinetes em osso, um grande número de objetos de adorno (contas de colar de pedra, amuletos com representações zoomórficas ) e Ídolos cilíndricos.

A conservação das diversas peças possibilitou a reconstrução da história do Calcolítico e suas inovações: fundição do cobre, a evolução da estratégia de defesa nas alterações das fortificações, a configuração das pontas de seta e o Campaniforme.

O abandono da fortificação dá-se entre o III e o II milénio.

O Zambujal revelou mais áreas de extensão, com cerca de 25 hectares. Iria até ao topo do cabeço da Calvina, perfazendo 49 ha. Aqui também se vão encontrando vários achados, que contam a história do pós- Calcolítico.

Embora se ignore, se os construtores do povoado seriam indígenas ou originários do Mediterrâneo Oriental, é quase certo que se dedicavam à prospeção, mineração e metalurgia do cobre e que desenvolveram intensas relações comerciais, dentro e fora da Península entre 3000 e 2500 a. C.

Possui duas fases construtivas: primeira chamada "horizonte de importação", segunda pertencente ao “período campaniforme”.

Sala 2 – Apresenta uma visão geral da história do Vale do Rio Sizandro, desde o Mesolítico, (IXº milénio a.C.) à Idade do Bronze (1º milénio a. C.) com relevo e paisagem muito diferente da atual.

Durante o ultimo período glacial, devido ao nível baixo do mar, os rios escavam vales profundos e estreitos no terreno.

A partir do Holoceno, (Quaternário) dá –se a subida do mar, a água salgada invadiu os vales, e o rio Sizandro chega à Ribeira de Pedrunhos e forma um vasto estuário.

Sala 3 - Refere o Reino dos Mortos

Foram encontrados, os espólios das sepulturas coletivas do Calcolítico Inicial e Calcolítico Final.

Há pontas de seta de sílex, pontas de “tipo Palmela”, punhal de cobre e braçal de arqueiro para proteger o braço do impato da corda do arco, placas de xisto decorados e ídolos cilíndricos de calcário ou de cobre.

Está ainda exposto:

Espólio da Idade do Bronze, destacando o tesouro áureo do Bonabal.

Nesta época encontramos quatro tipos de sepulcros: grutas naturais e abrigos, grutas artificiais, sepulturas megalíticas e “Tholos”, que podiam ser locais dedicados a práticas religiosas de um culto desconhecido.


LOCAIS, EM TORRES VEDRAS, ONDE FORAM ENCONTRADOS VESTÍGIOS DESTA ÉPOCA:

Boiaca – SERRA dos CUCOS; Castro da Achada - MONTE REDONDO; FORNEA – MATACÃES; PENEDO – BACIA DE RUNA; CASTRO DO ZAMBUJAL; PICHEIROS; CABEÇO JARDO; MONTE PENA; CABEÇA GORDA; CABEÇA DA ARRUDA; BOLORES (gruta); COVA DA MOURA; BARRO; COLHEIRINHA; ABRIGO DA CARRASCA; BORRALHEIRA; PICO AGUDO; VALE DA FAZENDA.


Maria Rita Sarreira


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