GERÊS, MIRANDA DO DOURO E VILA NOVA DE FOZ CÔA (de 7 a 10 de abril de 2026)
O nosso roteiro organizado pela Profª. Rita Sarreira e Prof. Lourenço, iniciou-se no dia 7 de abril, numa manhã chuvosa, partindo de Torres Vedras com primeira paragem em Vila Nova de Gaia para almoçar.
Devido às condições climáticas, só os mais afoitos saíram do autocarro para apreciar e fotografar a vista sobre o rio Douro e a cidade do Porto.
Após o almoço seguimos a viagem para o Gerês por estradas sinuosas, que se fez em segurança graças à perícia do nosso motorista.
Breve paragem na Barragem da Caniçada, na bacia hidrográfica do rio Cávado, construída em 1955, onde apreciamos a sua albufeira, local ideal para desportos nauticos na época de verão.
De seguida, paragem para visitar o Santuário de S. Bento da Porta Aberta, situado na freguesia de Rio Caldo, município de Terras de Bouro. Deve o seu nome à tradição de desde 1615, manter as portas da Ermida original permanentemente abertas para albergar peregrinos e viajantes que atravessavam a serra. O atual templo é de finais do século XIX, de estilo neoclássico e neobarroco. A principal data de romagem é o dia 21 de março, data da morte de S. Bento no Mosteiro de Montecassino, em Itália. A 11 de julho comemora-se a festa do padroeiro da europa, como foi considerado o Santo, pelo reconhecimento da sua influência na cultura e raízes cristãs da europa. Contudo a grande romaria popular que se realiza no Santuário é de 10 a 15 de agosto .Sendo o segundo maior Santuário português (depois de Fátima ) foi elevado a Basílica menor pelo Papa Francisco em 21 de março de 2015 em comemoração dos seus 400 anos de existência.
Chegados ao Gerês jantar e alojamento no Hotel Turismo.
No dia seguinte estava programado um passeio pela serra do Gerês em dois minibus, cujos motoristas serviram de guias dando explicações sobre os lugares por onde íamos passando. Paramos nos pontos mais significativos da serra , para apreciar a paisagem, como a Cascata do Arado situada a 800 m de altitude e no miradouro da Pedra Bela. Daqui deslumbra-se uma vista sobre o vale do rio Gerês , desde a nascente até à confluência no rio Cávado na albufeira da Caniçada. O tempo fez “uma aberta”, o nevoeiro levantou e pudemos fotografar um autêntico anfiteatro natural com uma vegetação luxuriante característica desta serra com variedades de carvalho, zimbro, bétulas, urzes e imensos arbustos que se dão em clima frio. O miradouro da Pedra Bela desde sempre encantou os viajantes e Miguel Torga no seu poema “Pátria” o glorifica, estando nesse local uma placa com esse poema gravado.
De tarde, seguimos viagem com destino a Miranda do Douro com uma breve paragem em Vila Real.
O terceiro dia do nosso roteiro foi um dia extraordinário que começou com um sol radioso e uma amena temperatura.
Logo de manhã um cruzeiro no Douro internacional. Durante o percurso a tripulação da Estação Biológica Internacional do Douro, explicou as características geológicas e etnográficas deste vale. Atravessamos o Penhasco dos Líquenes onde tentamos visualizar o número 2, continuamos pela Poça das Lontras onde fomos esclarecidos sobre a fauna autóctone do lugar. Continuámos pelo território da águia real e da cegonha preta, duas espécies mais significativas desta zona natural. Ao finalizar o passeio tivemos oportunidade de subir ao terraço exterior de barco para fotografar e desfrutar da paisagem envolvente. Depois de 1h de navegação, voltamos ao cais onde nos aguardava uma degustação de vários vinhos do Porto. Ao almoço podemos saborear o típico prato “posta mirandesa” que muito apreciámos.
Na parte da tarde fomos agradavelmente surpreendidos pela sessão de boas vindas que decorreu no salão nobre dos Paços do Concelho. Num ambiente de cordialidade e partilha a Sra. Presidente da Câmara Dra. Helena Barril, alguns alunos da Universidade Sénior de Miranda do Douro e o seu reitor Prof. Domingos, agradeceram a nossa visita inserida num intercâmbio entre Universidades Seniores, com troca de presentes, tendo ficado registado o momento na tradicional fotografia de grupo.
De seguida, sempre acompanhados pelo Prof. Domingos percorremos o centro histórico da cidade, as suas ruas estreitas e casas antigas, já restauradas. Na praça D. João III, onde se situa o edifício dos Paços do concelho podemos apreciar duas estátuas que representam um casal mirandês. O homem enverga a típica capa de Honra , que ainda hoje é usada pelo Presidente da Câmara em cerimónias oficiais, tendo sido oferecido um exemplar ao Papa Francisco estando representado num mural numa rua da cidade.
Visitamos a Concatedral mandada construir por D. João III, sendo o maior templo religioso da região de Trás - os - Montes, de estilo gótico, renascentista e maneirista No seu interior ressalta o retábulo do altar-mor do mestre galego Gregório Fernandez, igualmente digno de nota o retábulo de Nossa Senhora da Piedade, em talha barroca e o órgão do séc. XVIII profusamente decorado com talha dourada.
Num oratório de talha dourada encontra-se uma pequena imagem setecentista do célebre Menino Jesus da Cartolinha, ícone da religiosidade popular, onde os devotos depositam as suas oferendas e os pequenos fatos que vestem ao Menino conforme as épocas litúrgicas .
O antigo Paço Episcopal fica situado nas traseiras da Sé, tendo a sua construção começado em 1616, actualmente em ruínas, restam apenas as arcadas do claustro, a porta de entrada onde se inserem os nomes dos Bispos que lá vão passando.
O Museu das Terras de Miranda encontra-se encerrado para obras de remodelação e ampliação e uma pequena parte do seu acervo, uma colecção de instrumentos musicais tradicionais, pode ser visitada no antigo Paço Episcopal . Do Castelo apenas ruínas, pois em 1762, durante a guerra dos sete anos , a cidade foi cercada pelo exército franco-espanhol e o paiol situado na alcáçova do castelo com 500 barris de pólvora explodiu, provocando a sua destruição e a morte de cerca de 1/3 da população.
A nossa visita pela cidade terminou ao fim da tarde , sempre acompanhados pelo Prof. Domingos, a quem agradecemos pelos conhecimentos que nos transmitiu sobre o património histórico, artístico, religioso e tradições desta cidade.
O Prof. Domingos é um dos maiores especialistas da língua mirandesa e a ele se deve a criação da disciplina opcional da língua mirandesa nas escolas desde a pré primária até ao 12º ano, sendo desde 1999 considerada a segunda língua oficial do país.
O último dia do nosso passeio começou cedo, pois a distância até Vila Nova de Foz Côa era grande e tínhamos a visita ao Museu agendada com guia na parte da manhã.
O Museu inaugurado em 2010 situa-se numa das encostas da junção do rio Douro com o rio Côa. O edifício em betão com inertes e pigmentos de xisto, matéria abundante no local, imponente massa híbrida assemelha-se a um “bunker” em perfeita integração na paisagem.
Aqui não se expõem originais, o vasto conjunto de pinturas rupestres encontra-se ao ar livre ao longo das margens do vale do Côa. Desde 1996 o Parque Arqueológico disponibiliza visitas todo terreno abertas ao público a três dos principais sítios com arte rupestre paleolítica conhecidos, Canada do Inferno, Penascosa e Ribeira de Piscos.
Neste Museu encontram-se réplicas de painéis de arte rupestre com informação interativa que utiliza as modernas tecnologias digitais. A área de exposição é dividida em várias salas que fomos visitando com a guia. Salas que apresentam alguns utensílios recuperados nas escavações dos sítios de ocupação humana paleolítica da região, réplicas de vários painéis mais importantes do Côa , entre eles um em particular com 80 motivos gravados e outros cujos originais se encontram inacessíveis. Na última sala uma escultura de Alberto Carneiro que representa a “Árvore Mandala para os Gravadores do Côa” e uma homenagem àqueles que lutaram pela preservação da arte rupestre começada na década de 1990 pela construção da barragem.
Os achados arqueológicos de arte rupestre do vale do Côa estão entre os maiores da Europa ao ar livre do paleolítico a cerca de 35.000 a 30.000 anos a. c. Representam animais como bisões, cavalos, veados, cabras, arouquês, figuras humanas, cenas de caça, rituais de acasalamento e fecundidade, eram feitos por incisões nas próprias rochas e algumas figuras pintadas com pigmentos naturais.
Depois do almoço no restaurante do Museu, com uma vista deslumbrante sobre o rio Côa, regressamos a Torres Vedras.
Como recordação deste nosso roteiro o Prof. Lourenço ofereceu a todos os participantes uma fotografia do grupo, tirada em frente dos Paços de Concelho de Miranda do Douro.
Maria Margarida Saraiva Raposo