12/01/2018

Fátima - Um acontecimento histórico

Nos dias 4 e 12 de Janeiro de 2018, pelas 15 horas, realizou-se na AUTITV uma palestra sobre Fátima - "Um acontecimento histórico", a cargo do Professor João Gonçalves.

O texto que segue, sobre o tema em apreço,  é da autoria do sócio/aluno João Gouveia:


"Continua a provocar curiosidade 
junto das classes sociais e culturais 

O centenário das "aparições de Nossa Senhora em Fátima", celebrado em 2017, mobilizou o País e foi motivo para a primeira visita do Papa Francisco a Portugal. Ao mesmo tempo, suscitou interpretações e relatos de toda a espécie, a favor e contra o acontecimento, opiniões diversas, argumentos com e sem fundamento.
Apesar de tudo, e entre tantos meios de julgamento, não se pôs em causa o elemento espiritual, o factor da fé inerente às aparições testemunhadas entre Maio e Outubro de 1917 por três crianças na Cova da Iria (em Leiria-Fátima). Desde então, "muita água correu debaixo das pontes", até ao nosso tempo, em que a Igreja Católica tem feito uma leitura crítica e teológica do facto histórico (o Santuário de Fátima já publicou vários volumes neste âmbito e tem promovido congressos internacionais).

No contexto histórico em que tudo aconteceu, sabe-se hoje que muita coisa no início não foi bem explicada, não havia condições, a distância necessária e uma visão desapaixonada para se traduzirem as "aparições de Fátima" com maior realidade possível.
Nessa época, Portugal vivia tempos conturbados pela instauração do regime republicano, pela entrada na I Grande Guerra, pelas perseguições à Igreja Católica, pelo assassinato do "rei-presidente" Sidónio Pais, a contestação nas ruas, a sucessão de governos e o desentendimento entre os principais Partidos políticos...

O clima não era favorável à paz e a um clima de desenvolvimento social, e a população, na sua maioria, no seguimento da sua tradição religiosa, recorreu à dimensão transcendental para assegurar a sua confiança num futuro melhor. Assim já tinha acontecido, por exemplo, em França, com as "aparições de Nossa senhora de Lourdes", entre outras. No caso português, os "sinais" neste aspecto também foram evidentes, como relataram alguns meios de comunicação social na altura e outras opiniões fidedignas. 

No essencial, ninguém ficou indiferente às afirmações dos três pastorinhos (Lúcia, Francisco e Jacinta), ainda que se tenha especulado sobre as "aparições" como um "fenómeno de ovnis" ou de "natureza atmosférica", ou "aproveitamento político" para "castigar" os "excessos" da Primeira República... No entanto, a versão que vingou foi de uma "intensa religiosidade" que, passados cem anos, continua a merecer respeito e admiração. No entendimento do cardeal Manuel Cerejeira: "Não foi a Igreja que impôs Fátima, mas Fátima que se impôs à Igreja".

Neste centenário (1917-2017), muito se escreveu à volta de Fátima, sinal de que o tema continua a provocar interesse e curiosidade, junto de todas as classes sociais e ambientes de cultura, porque o assunto está mais que estudado, por investigadores do mundo inteiro, e vivenciado por milhares de crentes que acorrem todos os anos ao Santuário de Fátima, na busca da "paz" e da "confiança" face às lutas e controvérsias da actualidade."


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