11/02/2019

Os monumentos classificados do Concelho de Torres Vedras

Joaquim Moedas Duarte, membro da direção da Associação de Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras, bem conhecedor dos Monumentos da cidade e concelho de Torres Vedras, proferiu no passado dia 8 de Fevereiro, na Universidade da Terceira Idade de Torres Vedras, uma palestra sobre o assunto. Qual o processo de classificação dos monumentos? Quem decide sobre isso? - foram algumas das questões iniciais que colocou. Começou por citar Pierre Nora, historiador francês nosso contemporâneo, que definiu o conceito de “monumento” como sendo “toda a unidade significativa, de ordem material ou ideal, que a vontade dos homens ou o trabalho do tempo converteu em elemento simbólico de património memorial de uma comunidade qualquer”. 
Recorreu, depois, a alguns escritores portugueses do século XIX que se referiram ao vandalismo e abandono dos vestígios do nosso património, referindo Almeida Garret (Viagens na Minha Terra), Alexandre Herculano (Monumentos Pátrios) e Ramalho Ortigão (O culto da Arte em Portugal). Recordou que em 1881 o arquiteto Joaquim Possidónio da Silva criou a Real Associação dos Arquitetos Civis e Arqueólogos Portugueses, a qual foi encarregada pelo Ministério das Obras Públicas de elaborar um relatório e mapa de edifícios que deveriam ser classificados como monumentos nacionais.
No fim da Monarquia, em Junho de 1911, foi publicada a primeira lista com os Monumentos Nacionais, em que se incluíam o Convento do Varatojo, a Igreja de São Pedro e a Ermida de Nossa Senhora do Amial. 
Entrando mais concretamente no tema da palestra, sublinhou a importância da Lei de Bases do Património Cultural, - Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro, a qual define como “património cultural” “ todos os bens que, sendo testemunhos com valor da civilização ou de cultura portadores de interesse cultural relevante, devem ser objeto de especial proteção e valorização”. Uma das formas de o fazer é classificar o património edificado, quer seja monumento, conjunto ou sítio – e é o Decreto-Lei nº. 309/2009,de 23 de Setembro, que define os procedimentos para classificação dos bens imóveis.
Prosseguindo, o palestrante fez uma abordagem sistematizada de todos os monumentos torrienses que foram objeto de classificação, enumerando-os de acordo com o grau de importância.
Primeiro, os Monumentos Nacionais de Torres Vedras. Com características religiosas: Igreja de São Pedro, Trechos românicos da Igreja de Santa Maria do Castelo, Ermida de Nossa Senhora do Amial e Convento de Varatojo; património de arquitetura Civil: Aqueduto (seculo XVI), Chafariz dos Canos, Castro do Zambujal Tholos do Barro e Gruta da Ermegeira. Depois, os Imóveis de Interesse público: Grutas da Maceira, Castro da Fórnea, Ruinas do Convento de Penafirme, Ermida do Sirol, Igreja de Dois Portos, Igreja de Matacães, Santuário do Senhor do Calvário, Quinta das Lapas, Asilo dos Inválidos Militares de Runa, Castelo de Torres, Capela e Forte de São Vicente, Igreja e Convento da Graça, Igreja de Santiago, Igreja do Turcifal, Igreja da Freiria, Povoado e Capela da Serra do Socorro, Estancia Termal dos Cucos e Azenha de Santa Cruz. Finalmente, os Imóveis de Interesse Concelhio: Casa solarenga da Quinta do Juncal e Casa da Quinta Nova, ambos em Matacães.
Moedas Duarte terminou a sua palestra com este conselho: “A melhor forma de defender o nosso património cultural é conhece-lo melhor”.
Já no final, o autor referiu-nos que se encontram em fase de apreciação para possível classificação, o Solar da Quinta Velha do Espanhol e o conjunto das fortificações das Linhas de Torres Vedras. 

(Joaquim Cosme)



04/02/2019

O Albinismo (Ação de informação)


No dia 1 de fevereiro, a Associação Kanimambo, Organização Não Governamental para o Desenvolvimento, através dos seus membros Gonçalo Oliveira e Leonor Ferreira realizou uma ação de informação na AUTITV, sobre a temática do Albinismo.
Através da exposição de ambos, para além de conhecermos mais sobre as caraterísticas do albinismo, ficámos a saber qual a ação da instituição desenvolvida em Moçambique e a problemática social que envolve os indivíduos que nascem com estas caraterísticas nos países em desenvolvimento.
Os ataques a pessoas com albinismo estão associados a um contexto de discriminação e a mitos. Em Moçambique, no contexto cultural e religioso, existem crenças que estas pessoas, devido à “ausência” de cor na pele, olhos e cabelo, são por um lado, uma maldição para a família e comunidade, “são fantasmas” e por outro têm poder, as partes do seu corpo dão saúde e sorte, quando usadas em poções e amuletos.
Este mito torna a diferença extremamente perigosa para quem é portador de albinismo. São pessoas perseguidas, sujeitas a mutilações e à morte.
A Kanimambo promove e apoia a integração social das pessoas com albinismo, nos países lusófonos, em especial em Moçambique, através da informação, educação e angariação de produtos de proteção solar (protetores solares, cicatrizantes, óculos graduados e óculos de sol com proteção UV, chapéus) e de inserção social (roupa, material, escolar e brinquedos).
Os sócios da AUTITV presentes, fizeram várias intervenções (colocaram dúvidas, pedidos de esclarecimentos, apresentação de exemplos, etc.) durante a exposição contribuindo desta forma para a dinamização da ação.
No final da exposição, a AUTITV, através de dois elementos da direção, presenteou os oradores com duas lembranças, em cerâmica, executadas e doadas pelo aluno José Neves Andrade.
Foi visível o interesse da temática por parte dos participantes. Após a intervenção a maioria dos presentes ficou a conversar com os oradores sobre o assunto e a equacionar potenciais ações a desenvolver para colaborarem com a ONG.


(Isabel Bernardo)


25/01/2019

Visita de Estudo - História Local - Judiaria de Torres Vedras


Comunidade judaica em Torres Vedras

A presença da comunidade judaica em Torres Vedras deve ser vista à luz dos diferentes contextos para que se possa compreender, ainda que dentro das limitações, quanta influência terá tido nos aspectos económicos, religiosos, sociais e culturais, nomeadamente. Outro bem, é fazer um circuito pelo Bairro Judaico (Judiaria) tendo como guia a historiadora Isabel Luna, do Museu Municipal; a visita torna-se num despertador para o conhecimento de lugares que escapam ao cidadão que por ali passa e desconhece que séculos antes por ali passaram e viveram judeus.

Uma visita guiada pela Dr.ª Isabel Luna que os seniores da AUTITV ficam muito gratos. Antes, porém, saudar a Prof.ª Rita Sarreira que foi quem teve a iniciativa da visita e dedicou aulas sobre o tema judaico em Torres Vedras. A história pode assentar sempre sobre os mesmos pilares, ter as mesmas raízes, mas nunca se esgota e sempre deixa espaço para algo mais. Visitar o Bairro Judaico torriense na companhia de ilustres "historiadoras" é um privilégio inesquecível. 

O texto entregue aos seniores, previamente preparado pela Prof.ª Rita Sarreira e centrado no Centro Interpretativo da Comunidade Judaica (CICJ) é um pequeno compêndio de informação a não perder. Vejamos:

O CICJ ocupa um conjunto de edifícios de arquitectura tradicional, conhecido por Cerca de Josefa. Integra as "Rotas de Sefarad: Valorização da Identidade Judaica Portuguesa no Diálogo Interculturas", promovido pela Rede de Judiarias de Portugal, com o apoio do Mecanismo do Espaço Económico Europeu. No CICJ estão dispostas, em quatro salas, as referências mais marcantes da comunidade judaica em Torres Vedras.

Continuando a citar a Prof.ª Rita Sarreira. "Os judeus são nómadas e semitas, descendem da tribo de Judá, uma das 12 tribos de Israel, tendo como patriarca Abraão. A partir de 70 d. C. deu-se a 2ª diáspora com a destruição do 2º Templo e os judeus dirigiram-se para o Oriente, África e Europa.

A presença de judeus, na Península Ibérica, está confirmada arqueologicamente desde o séc. II e através de documentos desde o séc. X. No tempo de D. Afonso Henriques, séc. XII, viveram vários judeus na Corte, destacando-se o rabi-mor do rei Yahian Aben - Yaied. Portugal reconheceu-lhes liberdade, exigiu-lhes obrigações ficais, e privou-os de alguns direitos. Tinha-lhes sido permitido exercer actividades agrícolas e comerciais, financeiras e artesanais. Muitos dos judeus dedicaram-se à ciência e às artes. Geralmente viveram nas áreas urbanas, em judiarias ou alfamas, cumprindo as normas estabelecidas.

Há referências, à presença de judeus em Torres Vedras, a partir do séc. XIII. Nesta época era já uma comunidade organizada e rica, pois em 1269, reinado de D. Afonso III (1210-1279) há notícias do casal Moisés e Aviziboa, grandes proprietários".

Estes dados compilados pela Prof.ª Rita Sarreira, cuja paixão pela história Local e de Portugal é merecedora de um carinho de amizade pelos seniores (alunos), leva-nos a saber que "em dezembro de 1496, com a publicação do Edito de Expulsão, foi ordenada a retirada de judeus que não se convertessem até à Páscoa de 1497. Os judeus torrienses repartiram-se entre a integração na sociedade cristã (tornando-se cristãos-novos) ou os caminhos da diáspora. No séc. XVII a Irmandade do Senhor de Cristo terá estado na origem da mudança do nome da rua CRISTÃOS NOVOS E INQUISIÇÃO".

(João Godim)


















Faleceu o sócio Joaquim Augusto Santos Pereira

É com enorme pesar que a AUTITV comunica o falecimento do  sócio Joaquim Augusto Santos Pereira.

O corpo estará em câmara ardente durante a tarde de hoje, dia 25 de Janeiro, na capela de A-dos-Cunhados e a missa de corpo presente será amanhã às 11 horas na Igreja de A-dos-Cunhados, seguida de funeral.


Paz à sua alma.

Santa Maria da Feira - Museu do Papel, Museu Convento de Lóios e Castelo - 22 de Fevereiro


Palestra - Os monumentos classificados do concelho de Torres Vedras - Prof. Joaquim Moedas Duarte - 08.02.2019


23/01/2019

Aula aberta: Dinossauros de Portugal

Aula aberta na disciplina de "Cultura Geral" do Professor Novais Granada


Durante duas horas Octávio Mateus deliciou o auditório sobre o tema “Dinossauros de Portugal”, com curiosidades sobre dinossauros e outros vertebrados do Jurássico, dando relevo às descobertas históricas neste país e à riqueza do património fóssil entre Torres Vedras e Peniche.
Este nosso cientista lourinhanense e exímio orador, desenrolando o tema numa narrativa apaixonante desde “Era uma vez…”, revelou-nos interessantes conclusões de estudos científicos feitos através das descobertas fósseis.
Explicando com certo pormenor as características encontradas nestas espécies e juntando-lhe episódios pessoais e breves apontamentos de humor, Octávio Mateus cativou uma plateia que mostrou desejo em novo encontro.
Teresa Sarzedas




Museu Nacional de Arte Antiga - Exposição temporária "TERRA ADENTRO. A Espanha de Joaquín Sorolla" - 14 de Fevereiro


21/01/2019

Workshop de Sudoku - 18 de Janeiro

Neste início do ano de 2019, a Professora de Jogos de Cartas, Conceição Sousa Martins, realizou na AUTITV, no dia 18 de Janeiro, mais um Workshop de Sudoku, como aliás tem sido hábito em anos anteriores.
Este workshop foi bastante apreciado por todos os alunos que nele participaram.




Golfe Padel na AUTITV

Golfe e Padel na AUTITV

A Universidade Sénior de Torres Vedras (AUTITV) tem sido pioneira em diversas áreas sociais, culturais e desportivas.
Foi a primeira US portuguesa a Introduzir a modalidade de "Golfe" (disciplina desde 2016), cuja actividade contou, desde a primeira aula, com a adesão de alunos, professores e dirigentes.
No presente ano lectivo, surgiu a modalidade "Padel", semelhante ao Ténis, com a particularidade de ser a nossa US a primeira no país a ter esta salutar prática desportiva.
Quer o Golfe como o Padel estão ao alcance dos seniores de ambos os sexos. São modalidades praticadas em recintos ao ar livre, bem equipados e seguros: Golfe, no Campo Real (um dos melhores recintos do país) e Padel, no Clube de Ténis e Padel de Torres Vedras.
Como nota de rodapé; referir que o Padel é uma modalidade desportiva relativamente recente. Terá começado em 1969 (há 50 anos) no México.
É praticado com raquetes, em campos com 10 metros de largura e 20 de comprimento.

(Texto e foto de João Godim)



18/01/2019

Roteiro Fotográfico à Tapada Nacional de Mafra




Aconteceu no dia 17 de Janeiro, numa quinta-feira, o Roteiro Fotográfico à Tapada Nacional de Mafra organizado pelo professor António Lourenço Luís acompanhado pelos seus alunos da disciplina de Oficina da Fotografia. 
A este grupo juntaram-se outros alunos e partirmos de autocarro para o destino. 
Quando chegámos estava o staff  da Tapada de Mafra à espera do grupo e deu-se início à visita. Começámos por assistir à Oficina de Apicultura onde nos foi falado da arte de cuidar das abelhas e dos benefícios que se podem receber dos seus produtos. Foi muito interessante, para ser perfeito só era necessário que estivesse um dia primaveril pois o frio que se fazia sentir era muito.
De seguida, fizemos o circuito de comboio pela Mata onde pudemos apreciar a beleza do espaço e os animais que nele habitam. Observámos os veados e os gamos e como nesta altura do ano não é costume aparecerem, não conseguimos ver os javalis.
Durante o percurso passámos pelo Pavilhão de Caça do Rei D. Carlos, pelo Forno de Cal e apreciámos alguns Azerves (estruturas de pedra em forma de semicírculo mandadas construir para servir de abrigo e refúgio durante as caçadas reais).
No final da visita, assistimos a uma demonstração de aves de rapina que eram aves muito bonitas. Um bufo rela, uma coruja e um falcão. 
As alunas de Oficina da Fotografia, em ambiente tão diversos, tiveram oportunidade de demonstrar os seus dotes.
A Tapada Nacional de Mafra forma, em conjunto com o Palácio-Convento Nacional de Mafra, um único monumento. Criada no reinado de D. João V como parque de lazer da Corte, conserva um património natural de características únicas. Acolhe uma grande diversidade de flora invulgarmente rica assim como de fauna com veados, gamos, javalis, aves de rapina e muitas outras espécies menores.
Ficou a vontade de voltar na Primavera e fazer um pic-nic, pois é um serviço que está a ser desenvolvido na Cafetaria e basta ser encomendado ...
(Helena Pina)